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Tempo e Tipo de Torra: Como Influenciam o Sabor do Café
Torra do café especiais. Como o tempo e o tipo de torra impactam o sabor do café.

A torra de cafés especiais é uma etapa determinante para realçar os atributos sensoriais do grão. Mais do que uma técnica, trata-se de um processo de experimentação contínua. Ao combinar tempo de torra e tipo de torra, é possível construir diferentes perfis sensoriais. No entanto, a escolha ideal depende dos objetivos do mestre de torra e das preferências do consumidor.
Antes de tudo, é fundamental conhecer o perfil sensorial que o seu público mais valoriza. Preferem torras mais claras, médias ou escuras? O café será consumido puro ou combinado com outros ingredientes? E qual é o método de preparo mais comum entre seus clientes?
Como diferentes combinações moldam os sabores do café
Um mesmo lote de café pode apresentar, no mínimo, nove perfis sensoriais distintos, conforme a interação entre tempo de torra e intensidade da torra. Veja a tabela a seguir:
Tipo de Torra | 6 min | 12 min | 18 min |
---|---|---|---|
Clara | Perfil 1 | Perfil 4 | Perfil 7 |
Média | Perfil 2 | Perfil 5 | Perfil 8 |
Escura | Perfil 3 | Perfil 6 | Perfil 9 |
Exemplos práticos
- Perfil 1 – Torra Clara (6 min): destaca acidez e doçura, com corpo leve e sabor ainda em desenvolvimento. Pode apresentar notas de cereais, florais ou frutadas, conforme a origem do grão.
- No Perfil 5 – Torra Média (12 min), há um equilíbrio sensorial mais evidente entre acidez, corpo e doçura. Os sabores são mais estruturados, com nuances de caramelo, chocolate, frutas ou amêndoas.
- Já o Perfil 9 – Torra Escura (18 min) resulta em corpo intenso e predominância de amargor. A acidez e a doçura são reduzidas, com destaque para notas carbonizadas.
Essas variações afetam diretamente os quatro principais atributos da bebida: acidez, doçura, corpo e amargor.
De modo geral:
- Torras claras, quando comparadas entre si no mesmo tempo, tendem a realçar a acidez e a doçura.
Por outro lado, as torras escuras acentuam corpo e amargor.
Além disso, em um mesmo tipo de torra, tempos mais curtos elevam a intensidade da acidez e da doçura.
Com base na prática, os melhores resultados para cafés especiais costumam ser obtidos com tempos de torra entre 9 a 12 minutos.
Visualizando o impacto da torra
Para facilitar a compreensão das interações entre tempo e tipo de torra, as imagens a seguir ilustram como os atributos sensoriais se comportam:

Figura 1 mostra como variam a acidez e a doçura em função do tempo e tipo de torra

Na Figura 2, é possível visualizar a evolução do corpo em função do tempo e tipo de torra.

Por fim, a Figura 3 representa a intensidade do amargor ao longo dos diferentes perfis de torra.
Observação: Esses gráficos são representações didáticas. Embora simplificados, funcionam como referência útil para decisões na torrefação.
Educando o consumidor para valorizar cafés especiais
Degustações comentadas, utilizando diferentes métodos de preparo, são estratégias eficazes para educar o consumidor e criar vínculo com o produto. Além disso, permitem ao produtor desenvolver uma assinatura sensorial, fortalecendo o reconhecimento do seu café em um mercado ainda dominado por produtos de menor qualidade. Essa abordagem também favorece o posicionamento da marca e agrega valor à venda.
Na prática: Como acertar o Perfil 5 no torrador de amostras
Como ponto de partida, considere o Perfil 5. Ele representa o centro da interação entre tempo e tipo de torra — e é também o mais próximo do padrão utilizado em análises sensoriais.
Procedimento passo a passo:
- Pese 100 g de amostra crua.
- Aqueça o torrador a 175 °C.
- Use chama baixa e ajuste o fluxo de ar (modelo Probatino: primeira marcação).
- Inicie a torra e cronometre as seguintes etapas:
- Aos 2 minutos, os grãos ainda estão esverdeados.
- Com 3 minutos, a coloração começa a amarelar.
- No quarto minuto, os grãos ficam dourados — é o fim da fase de secagem.
- Aos 5 minutos, surgem tons de caramelo claro.
- No minuto seguinte, a cor escurece para caramelo profundo.
- Em 6:30, aumente a chama.
- Entre 7:15 e 7:45, ocorre o primeiro “pop”.
- Ao ouvir o primeiro “pop”:
- Acione um segundo cronômetro
- Abra o fluxo de ar por 30 segundos
- Depois, reduza o fluxo por mais 30 segundos
- Descarregue entre 1:05 e 1:30 após o primeiro “pop”
- Resfrie o café rapidamente.
- Pese novamente e calcule a quebra (ideal entre 12% e 14%).
- Avalie o desenvolvimento, cor dos grãos e do pó.
- Armazene a amostra em embalagem apropriada e aguarde ao menos 8 horas antes da avaliação sensorial.
Ajustando o perfil com base na avaliação sensorial
Após a análise sensorial, imagine que você deseja aumentar a doçura e a acidez. A escolha natural seria por uma torra mais clara — e essa é uma boa direção. Contudo, vale lembrar que reduzir o tempo de torra, mesmo mantendo uma torra média, também intensifica esses atributos. Experimente torras de 6 a 8 minutos, buscando perfis entre claro e médio.
Se, por outro lado, o objetivo for realçar o corpo ou destacar notas achocolatadas, o ajuste exige mais atenção. Isso porque corpo e amargor tendem a crescer juntos. A solução, nesse caso, pode ser optar por uma torra mais escura, porém com tempo reduzido, minimizando a amplificação do amargor. Com testes cuidadosos, é possível encontrar o ponto ideal entre intensidade e equilíbrio.